The love birds

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Fotografia da autora

Há quatro anos, tive seis agapornis, conhecidos como os “pássaros do amor”, ou os “pássaros enamorados”.
Apaixonei-me pelas suas cores, pela vivacidade e, sobretudo, pela afeição que estabelecem com os cuidadores.

Senti-los sob a palma da minha mão, a debicar a comida, com confiança e tranquilidade, era uma sensação de profunda sintonia, invejável entre os seres humanos.
Os agapornis têm ainda a particularidade de acasalarem para toda a vida. Assim que entre o casal se estabelece uma ligação amorosa, eles não se largam mais, e enchem-se mutuamente de mimos (verdadeiros beijinhos e confidências) durante todo o dia! Um encanto vê-los naquele namoro.
Para onde “ela” voa, “ele” rapidamente a persegue, à espera de atenção. A agapornis fêmea é arisca, brincalhona e, quase sempre dotada de “mau feitio”. Já o agapornis macho é sereno, compreensivo e fiel até morrer.
Assim que acasalam, a fêmea faz o ninho, e de lá não sai enquanto produz os ovos, sendo o macho que lhe dá a comida, diariamente, no biquinho, com carinho. Quando os filhotes saem dos ovos, a “mãe” põe-nos fora do ninho, e fica o “pai” encarregado de ensinar os pequenitos a alimentarem-se sozinhos.

Repare-se na perfeição da Criação: cada pássaro sabe qual o seu papel no lar que construiu!

Um dia, uma das fêmeas atrevidas escapuliu-se pela porta da comida, e voou pelo terraço rumo ao céu. O seu par adoeceu de tristeza. Deixou de comer, morreu de saudade.
É um amor inexplicável, este, entre os agapornis, que depois de encontrarem o seu par, não conseguem mais separar-se, nem sobrevivem, um sem o outro.
Como é possível, que pássaros, sem inteligência, consigam vivenciar a eternidade no amor, e nós, seres humanos providos de tanto conhecimento e sabedoria, passemos as nossas vidas a senti-lo, o amor, de forma efémera, quase sempre egoísta e dolorosa?

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