Lágrimas

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No centro do peito
onde despontam as ilusões
e a alma guarda o sofrimento,
eis o momento
em que a tristeza
perde as amarras do bom senso
e projeta-se à boleia
de milhares de fios carmim,
que conduzem a vida.

Na energia incontida
da dor, que é o motor,
fluem rapidamente até às portas da visão
que de tão enferrujadas
lutam para permanecer fechadas.
Impossível tal feito!

Duas fontes esplendorosas,
lançam a desilusão, a frustração,
a mágoa e a solidão empedernida,
num festival aquático
para o qual ninguém está preparado.

E à medida que o corpo da vítima
se aquieta,
elas descem suavemente
por entre as rugas do rosto infeliz,
desmaiando no canto dos lábios,
não sem antes,
se transformarem na espuma do cristal
que sabe a mar,
e do qual,
há-de submergir a inexpressiva sentença,
tantas vezes revogada:
“não voltarei a chorar!”

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