Olhos do mar

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São conchas pálidas, os meus olhos
deitados sob o horizonte
do céu azul, dormente, de verão.
Não sei se é de manhã,
ou de tarde,
se agora cheguei
ou estou de saída.

São búzios falantes, os meus olhos:
ouvem vozes distantes,
risos, gritos aflitos…
Parece que chove lá adiante…
ou serão as velas
a embaciar o oceano?

São estrelas do mar, os meus olhos
a tactear o anoitecer
que caiu, sem eu perceber,
enquanto eu contava os grãos de areia
que caíam das minhas mãos:
os que ficam, os que vão…

São pérolas escondidas, os meus olhos
debaixo das pálpebras cerradas,
de vez,
no túmulo do esquecimento
(um tesouro de outrora)
que em agonia,
não mais verão a luz do dia.

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